segunda-feira, 28 de março de 2011

Stálin x Trotsky

Após a morte de Lênin, em 1924, o comando da Revolução foi disputado entre os colaboradores mais próximos do líder máximo dos bolcheviques. Hoje se sabe que Lênin tinha uma preferência por Trotsky, mas convalescendo de um derrame, o chefe dos bolcheviques não tinha mais força para fazer prevalecer a sua vontade. A incapacidade física de Lênin deu a Stálin a oportunidade necessária para se tornar o líder da Revolução. Disciplinado, incansável e com boa reputação entre a maioria dos membros do partido (o que em se tratando de bolcheviques significava crueldade e frieza com os inimigos), Stálin não deu à mínima para a preferência de Lênin por Trotsky.

Diretor do jornal Pravda, que por ironia significa verdade em russo, Stálin não sentiu pudores de enganar o próprio chefe moribundo que numa cama recebia o jornal sem saber que se tratava de uma edição falsa, previamente preparada a mando de Stálin para não aborrecer o Grande Líder. Se Stálin era capaz de enganar o próprio Lênin o que não faria para esmagar Trotsky? Nessa conjuntura, não havia muita chance para o preferido de Lênin.

Nos livros didáticos de história essa disputa entre Stálin e Trotsky se resume aos modelos de revolução que cada um defendia. Leon Trostky era partidário da revolução permanente e imaginava que se a revolução socialista não se difundisse pela Europa o próprio regime na Rússia estaria ameaçado. Stálin, por sua vez, acreditava que antes de tudo era preciso consolidar o socialismo na Rússia para só depois pensar em difundi-lo.


Mais do que divergências teóricas, Stalin e Trotsky disputavam mesmo era o poder de comandar a revolução. Nessa disputa, Trotsky saiu em desvantagem. O preferido de Lênin era considerado arrogante entre os companheiros de armas que, além disso, viam seu "brilhantismo" intelectual com desconfiança. Para piorar, a máquina do partido e os meandros da burocracia eram controlados por Stálin. Isolado no partido e mais tarde afastado de suas funções no governo por ordens de Stálin, Trotsky foi perdendo força até ser expulso do país em 1929. No exterior criticou o socialismo de Stálin acusando-o de se desviar do socialismo imaginado por Lênin.

Antes de mandar matar Trotsky no México, Stálin decidiu matá-lo na história. Num exemplo notório do que seria a política bolchevique de fazer sumir da história pessoas ou ideias tidas como inimigas, o camarada Stálin determinou que todos os registros fotográficos onde Trotsky aparecia ao lado de Lênin fossem alterados. Assim, nas fotos oficiais que contavam a história da Revolução de Outubro, Lênin que quase sempre tinha a companhia de Trotsky, aparece nas imagens sem o seu companheiro. Vejam dois exemplos abaixo:



Acima, Lênin discursando em frente ao teatro Bolshoi em Moscou. Repare em Trotsky ao lado do palanque. Abaixo, a mesma foto sem a presença de Trotsky.




Outro exemplo de como Stálin procurou apagar a memória de Trotsky da História. Aqui, o criador do exército vermelho está ao lado de Lênin. Veja, abaixo, como essa foto ficou depois das ordens de Stálin.

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